O que mais vemos em Caruaru é obra parando porque o solo não aguentou. A região do Agreste, com seus cerca de 400 mil habitantes, tem um perfil de alteração de rocha muito particular. Não é rocha sã, mas também não é só areia. É um solo residual, estruturado, que desaba com facilidade se você mexe sem entender a resistência real. Por isso, antes de abrir qualquer frente de túnel, corremos um conjunto de ensaios para cravar os parâmetros de resistência e deformabilidade. A permeabilidade in situ ajuda a prever a vazão de água nos primeiros metros de cobertura, e o ensaio CPT entrega um perfil contínuo sem precisar de sondagem rotativa logo de cara. Em Caruaru, a variação do nível d'água entre a estação seca e a chuvosa muda tudo.
Em Caruaru, a sucção do solo residual some com a chuva. O túnel que parece estável na seca pode colapsar na primeira saturação.
Particularidades da região
O equipamento que mais usamos para caracterizar túneis em solo mole é o piezocone sísmico. Ele crava no terreno e mede a resistência de ponta, o atrito lateral e a velocidade da onda cisalhante. Em Caruaru, o maior problema que encontramos é a presença de matacões dentro do perfil de alteração. O cone para bruscamente. Se o projetista não souber disso, a tuneladora trava. Já vimos obra parar três semanas por causa de um bloco de rocha não mapeado. Por isso, antes do túnel, fazemos uma varredura com refração sísmica para identificar esses obstáculos. Outro ponto crítico é a frente de escavação em solo mole saturado: se a pressão no face shield não for calibrada com a resistência não drenada real, o desplacamento é instantâneo. A NBR 15220 ajuda a entender o comportamento térmico, mas a mecânica do solo local exige ensaio.
Perguntas comuns
Qual o investimento médio para uma análise geotécnica de túnel em Caruaru?
Depende da extensão e quantidade de furos. Para um reconhecimento completo com sondagens mistas, CPTu sísmico e ensaios triaxiais em laboratório, o valor costuma ficar entre R$10.970 e R$36.570. Enviamos uma proposta técnica detalhada após avaliar a planta do empreendimento.
Quanto tempo leva para entregar o relatório geotécnico do túnel?
A campanha de campo dura de duas a três semanas. Os ensaios triaxiais exigem mais tempo: são cerca de 15 a 20 dias para saturar, adensar e cisalhar os corpos de prova. O relatório consolidado com as análises fica pronto em aproximadamente 30 a 40 dias após a coleta.
Como vocês garantem a qualidade das amostras para ensaio triaxial?
Usamos amostrador Shelby de parede fina e transportamos os tubos em caixas térmicas com espuma anti-vibração. No laboratório, extrudamos a amostra com cuidado para não amolgar. Nosso laboratório é acreditado na ISO 17025, então cada corpo de prova passa por verificação dimensional e de umidade antes do ensaio.
O que acontece se o túnel atingir um matacão durante a escavação?
Se a campanha de refração sísmica e sondagens tiver identificado o matacão, a tuneladora ajusta a rotação e o torque. Caso não tenha sido mapeado, o risco de travamento é alto. Por isso, na nossa análise, sempre sobrepomos os perfis sísmicos com os resultados de CPTu para mapear qualquer anomalia rígida antes da mobilização do equipamento.