Entre o bairro Maurício de Nassau e o Alto do Moura, a geologia de Caruaru muda em poucos metros. O primeiro assenta sobre sedimentos da Bacia do Jatobá. O segundo, sobre rochas cristalinas do Planalto da Borborema. Essa variação explica por que uma sondagem mecânica isolada nem sempre basta. A sondagem elétrica vertical resolve essa incerteza ao mapear a distribuição da resistividade em profundidade. Em vez de perfurar em vários pontos, o método injeta corrente no solo e lê a diferença de potencial entre eletrodos. O resultado é um perfil geoelétrico que revela camadas de solo, rocha sã, zonas saturadas e fraturas. Em Caruaru, cidade com mais de 400 mil habitantes e polo regional do Agreste, a SEV é ferramenta essencial para projetos de captação de água e fundações de médio porte. O ensaio reduz riscos de perfuração seca e orienta a locação de poços com precisão. Complementamos a interpretação com sondagens SPT quando há necessidade de correlação geotécnica direta.
A SEV em terrenos cristalinos do Agreste distingue rocha fraturada de rocha maciça sem necessidade de perfuração — decisivo para evitar poços secos.
Metodologia e escopo
O embasamento cristalino de Caruaru pertence ao Complexo Belém do São Francisco, com predomínio de gnaisses e migmatitos. A manta de alteração nessas rochas atinge entre 3 e 18 metros, dependendo da declividade e do grau de fraturamento. A resistividade elétrica responde a essa variação: solos argilosos saturados marcam abaixo de 30 ohm.m, enquanto a rocha sã ultrapassa os 500 ohm.m. A SEV utiliza arranjo Schlumberger com abertura de eletrodos progressiva, alcançando profundidades de investigação de até 100 metros. Os dados de campo passam por inversão geoelétrica com software especializado, gerando um modelo de camadas horizontais equivalente. Em áreas de baixa topografia, como a planície do Rio Ipojuca, aplicamos correção topográfica para evitar distorções. Para investigações rasas de pavimentos, a técnica pode ser complementada com o
ensaio CBR viário, que avalia a capacidade de suporte do subleito. Um trabalho recente na zona de expansão urbana identificou paleocanais enterrados que condicionavam a recarga do aquífero fraturado. A integração com o
ensaio de permeabilidade in situ validou as zonas de maior transmissividade hidráulica apontadas pelo perfil geoelétrico.